Kiwi Nuclear

I have no choice, I hear your voice

Archive for April, 2008


Mother superior jumped a gun

Nothing´s gonna change my world.

Fita especial para todo mundo que fez merda hoje

Coisas que você só ouve dentro de um táxi

O cara tem 82 anos. Tem a sorte/competência de ter um táxi e um alvará. Aluga o carro para outro camarada, de segunda à sexta feira, que é obrigado a pagar R$100,00 de diária para ter o direito de rodar com o táxi.

Aos finais de semana, o velhinho de 82 anos trabalha… Pega seu táxi e sai à caça de passageiros que acabam aterrorizados com a sua falta de direção, preparo físico e tremedeira.

Velhinho tem uma amante jovem, de 50 anos! Que diz que está com ele há 10 anos por amor (ó louco amor), mas que aparentemente recebe cada centavo do dinheiro recebido da diária cobrada do camarada que fica com o carro de segunda à sexta.

Esposa (velhinha) do Velhinho telefona para camarada que aluga o carro aos finais de semana, para desabafar. Informa estar pensando (no gerúndio e nos últimos 10 anos) em largar Velhinho e pedir metade de tudo na justiça. Fazer barraco. Botar no pau.

Camarada aconselha a Velhinha a continuar com o Velhinho. Pois o amor é mais lindo que tudo. Camarada me confessa que na verdade ele só fala isto porque tem medo de perder o emprego, ou melhor, a preferência na hora de alugar o carro de Velhinho.

Tudo isto escutei em um trajeto de uns 5 quarteirões, entre a Estados Unidos e a Paulista.

E só escutei porque comentei que ia chover…

 

Jogo da Vida

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Nos anos 80, a vida parecia bem simples. Afinal de contas, o jogo nos ensinava tudo.

Você nascia, estudava… Se tivesse sorte, teria uma profissão de sucesso. Advogados e Médicos recebiam os maiores salários…

Você era obrigado a se casar logo após a definição de sua profissão. Você, como menina, era um pininho rosa. E tinha que obrigatoriamente ter um pininho azul como companheiro até o final do jogo, ou melhor, o Dia do Juízo Final.

E antes deste dia chegar, o jogo te ensinava tudo o que você teoricamente precisava saber sobre a vida: como adquirir seguros de vida, investir em ações, seguro da casa, fazer empréstimos no banco, vingar-se de seus desafetos, ter filhos…

Uma parte surreal deste jogo era o fato de que filhos te davam lucro.

E se na sua trajetória suas finanças você não conseguisse se manter, o inevitável aconteceria: O fracasso. A mensagem era clara: "Você foi à falência. Vá morar numa fazenda e se aposentar como filósofo."

Morar em uma fazenda e me aposentar como filósofa é a minha definição de sucesso, mas no Jogo da Vida é o maior fracasso, é a humilhação suprema.

Sucesso no jogo era virar a milionária.

Pois eu estou no meio do meu Jogo da Vida. Não estou casada, não tenho filhos. Não sou médica nem advogada. Não tenho ações, não invisto na bolsa. Nem mesmo vingar-me dos meus desafetos eu consegui. Provavelmente em vários momentos da minha vida alguém me daria um cartãozinho me mandando desistir, morar em uma fazenda e me aposentar…

O Jogo da Vida não nos ensinava a lição mais valiosa que eu já aprendi: eu posso me recuperar de qualquer coisa.

Eu tenho apenas 30 anos, mas já estive embaixo do fundo do poço. Minha mãe e o resto da minha família, que são leitores assíduos deste blog, não me deixam (literalmente) mentir.

E por conhecer bem este lugar misterioso que nos textos chamamos de fundo do poço, eu tenho uma facilidade incrível em reconhecer quem agora está. E uma vontade enorme de tentar tirá-los de lá.

Lembra aquela eterna dúvida do "eu não sei qual é a minha missão na vida?" Pois bem. Eu acabei de descobrir a minha.

Futebol, cotonetes e germânicos.

Depois da semana horrível que eu tive, eu merecia um sábado bem legal.

Mooca, Rua Javari. Eu, Lu, Dany e Renato, todos semi-acordados, madrugamos para acompanhar o Corinthians derrotar o Juventus por um a zero pelo Campeonato Paulista de futebol feminino.

Jogo esquisito, um primeiro tempo horroroso que ficou marcado pela barulheira infernal de umas 15 torcedoras do Juve com vozes estridentes. A pior torcida organizada que já vi, não apenas era totalmente composta por mulheres (e pessoas do sexo feminino gritando ao mesmo tempo deve ser o barulho que o inferno tem), elas adaptaram alguns cânticos da torcida são-paulina para "incentivar" as meninas do Juventus.

OU seja, além dos cantos não combinarem com o clube, elas conseguiram irritar corinthianos (por motivos óbvios) e os próprios juventinos (em sua maioria descendentes de italianos palmeirenses).

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O segundo tempo foi melhor, pois alguém deve ter assassinado a líder da torcida feminina no intervalo. OU o pai dela chegou. Desta maneira, o Corinthians perdeu diversas chances, principalmente com a Nilda (camisa 9) mas conseguiu o seu gol em um bate/rebate na pequena área.

Fim de jogo, que reuniu um público surpreendente (acho que tinha mais de 100 pessoas), mas não tão bom ao ponto de fazer o tiozinho dos canollis acordar mais cedo. Ele não estava mais lá e fez da minha experiência na Javari um pouco incompleta. Mas acho que era exigir muito para um jogo com entrada franca.

De lá, segui com Luciano para Itu. A premissa básica da viagem era fazer aquilo que aterroriza 99% das mulheres e 110% dos homens da face do planeta: conhecer os sogros.

Sim, o meu sábado legal incluia ver os meus sogros pela primeira vez na minha vida!

E foi muito bom. Meu sogro é uma figura e a minha sogra uma mulher doce e linda. Me trataram bem demais, ao ponto de eu desencanar do "medo" nos primeiros quinze minutos. Me levaram em um restaurante espetacular na estrada de Itu para Porto Feliz, chamado Queima do Alho, onde enchi a cara de todas aquelas coisas que eu não devo comer: linguiça, feijão tropeiro, costela, carne seca, banana à milanesa, farofa, frituras diversas… Pudim de leite. AAAAAAAAAA.

Três quilos mais gorda e feliz por conhecer os pais do Lu, pedi para conhecer a parte turística de Itu. Fiquei inicialmente desapontada, pois eu esperava encontrar no meio das ruas panelas gigantes, botões gigantes, pássaros gigantes, novelos de lã gigantes, paralelepípedos gigantes, e toda a sorte de cacarecos gigantes para o meu entretenimento.

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Mas de gigante, a praça principal só tem um orelhão e um semáforo. Estância Turística só se for pela Queima do Alho! Mas divertido foi, passeamos um pouco pela cidade, fotografamos alguns bancos de praça e tomamos um drink suspeito em um bar suspeito.

Ganhei um cotonete gigante (post abaixo) e um lápis gigante, realizando um sonho de infância. Eu nunca tive um lápis de Itu.

De volta à SP, tivemos algum fôlego para dar um pulo na Cervejaria do Alemão, na Rua Madre de Deus 325, aqui na Mooca.  Um bar tranquilo, daquele para chamar de seu. Arrematamos um delicioso prato de picanha ao alho para finalizar o nosso dia de orgia gastronômicas.

E eu finalmente consegui o meu dia legal.

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