"Ah não! Ela vai cantar de novo!"
Esta era a reação do meu namorado a cada vez em que uma das brilhantes cantoras de Dreamgirls começavam soltar a voz. "Mas as músicas fazem parte do filme!", eu expliquei. Sem sucesso. Todas as vezes em que as músicas começavam ele virava a cabeça de lado, portanto ficou sem ENTENDER parte do filme. Eu eu apenas pedia paz para assistir a televisão, rezando para a Santa Julie (Andrews).
Por volta de 1h20 de filme, ou melhor, no momento em que Effie White é expulsa do grupo e canta todo o seu descontentamento, Luciano me diz: "Se um dia você brigar comigo cantando, eu vou te encher de porrada!". Assim foi feita a primeira (e irreal) ameaça de agressão física de todo o nosso relacionamento.
O que será que os musicais tem para tirar até o mais pacifista dos homens do sério?
A má vontade do Luciano com o filme era tão grande que, em determinado momento, ele teve o dom de confundir Eddie Murphy com Jamie Foxx e também a Loretta Devine (a esposa do Chief Webber de Greys Anatomy) com a Jennifer Hudson, atriz 30 anos mais jovem. Este último momento foi até divertido: "Nossa, ela engordou mais ainda!", ele comentou sobre a figura rechonchuda da Sra. Devine que aparecia na tela, pensando ver mais uma apresentação da Srta. Hudson.
Eu acredito que se expressar através da música é um dom. E aparentemente é um dom predominantemente feminino. São poucos os homens que gostam de musicais e são raros os que se emocionam com canções. Música é uma parte grande da minha vida, talvez por isto os musicais sejam o meu gênero favorito de entretenimento.
Minhas duas cachorrinhas tem os nomes de personagens de um musical: Roxie Hart e Velma Kelly, de Chicago.
Próxima missão: Luciano conhece A Noviça Rebelde. Surta. E me ameaça de espancamento na próxima vez em que eu subir ladeiras em disparada cantando que as colinas estão vivas com o som da música. heh.