O grande nome destes jogos olímpicos será o técnico José Roberto Guimarães. Este é o cara que treinou a primeira seleção brasileira de vôlei campeã olímpica em 1992: quem não se lembra do time formado por Tande, Maurício, Giovanni, Marcelo Negrão e cia? Eu confesso que não terá título que o time de Bernardinho ganhe que me emocionará como aquele.
Dezesseis anos depois, Zé está prestes a fazer história. Pode levar o vôlei feminino ao seu primeiro título olímpico.
Ele andou meio desgostoso com a vida no vôlei por alguns anos. Chegou até a ser dirigente do Corinthians no começo do século, alguém se lembra? Ficou dois anos gerindo o futebol, até que resolveu voltar ao vôlei. Aceitou o desafio de comandar a zoadíssima seleção feminina em um momento delicado: o treinador anterior, Marco Aurélio Motta, deixou o Brasil com problemas de relacionamento e o pior resultado da década: um sétimo lugar no Grand Prix de 2003.
Zé conseguiu arrumar a casa e levar o Brasil à semifinal dos jogos olímpicos de 2004, onde as meninas tiveram a mais traumática derrota (e a maior amarelada) de todos os tempos: a inesquecível derrota para a Rússia, depois de ter o placar de 24 x 19 a nosso favor e precisar de apenas um ponto para fechar o jogo.
De lá para cá, muita coisa mudou. Zé arrumou uma briga pública com o técnico da seleção masculina, o já citado Bernardinho, e sua esposa Fernanda Venturini, ex-amarelona-levantadora. Ganhou a antipatia de parte da imprensa e da torcida. Mas fechou o time e o grupo. Conseguiu uma coisa impensável há quatro anos: nunca o Brasil teve um time tão forte mentalmente.
O final desta história será no sábado, 09 da manhã. Assistirei desde o início, cornetarei o Galvão e torcerei muito, mas muito, pelo Zé Roberto. Pois no sábado ele se tornará o maior treinador da história do vôlei. E os valores das palestras do Bernardinho cairão pela metade!