Homem ao volante é um clichê tão espetacular quanto uma mulher na manicure. Com muita frequência, os nossos adoráveis rapazes são responsáveis por grandes acidentes, demonstrações constantes de poder e caminhos mirabolantes. Tudo em nome do macho que vive dentro de cada um deles.
O meu futuro marido é um cara macho pracaraleo no que diz respeito ao domínio do volante. Ele tem a certeza absoluta de que é um motorista de primeira linha e já ganhou (de mim) o carinhoso apelido de Speedy Tavares, graças à sua tão criticada (por mim) impaciência nas estradas, onde ele se apresenta como o ser mais insuportável do planeta. Ele é aquele chato que cola na sua bunda (sem duplo sentido) e fica piscando até você resolver sair da frente de medo do cara passar por cima.
Meu amor também tem a odiosa mania de achar que conhece São Paulo. Caminhos mirabolantes já foram feitos por ele, pois o meu querido não gosta de perguntar o caminho nem para mim nem para ninguém. Não entende como alguém com experiência ao volante que tende a zero (como eu) pode saber mais da cidade do que ele.
Mas nada superou o que ele fez neste último domingo.
Saímos do meu local de votação, na Mooca, a 500 metros da minha casa e deveríamos seguir para a rua Lins de Vasconcelos, no Cambuci. “Deixa comigo”, ele disse! Decidi não me meter, pois eu estava curiosa para saber aonde chegaríamos. Na verdade eu estava sem pressa alguma… Faltavam algumas horas para o almoço!
Ele deu um verdadeiro show. O Cambuci é grudado na Mooca, mas o Lu deciciu que deveríamos passar por quatro bairros diferentes antes de alcançá-lo. Se na vida real o local pode ser alcançado em linha reta andando um pouco mais de cinco kilometros, o Lu decidiu que o belo dia ensolarado de domingo merecia um rally de 17 km, que pode ser visualizado aí embaixo (clique no botão View interactive Course Map! Vale a pena!)

Todo este texto é só para afirmar que até o mais maravilhoso dos homens é cego quando está atrás de um volante. A arrogância do homem brasileiro (do latino, na verdade) sobre quatro rodas transcende a normalidade. Olhe no espelho, rapaz-leitor deste blog: você também é assim! Não é?