Archive for October, 2008

Anotações sonoras10.21.08

Enquanto isso na Sala da Justiça, eu decidi que devo ter um gravador de voz. Um daqueles mini-gravadores para registrar o mundo. Os pensamentos passam muito depressa pela minha mente e eu já não tenho mais tempo de registrá-los nos meus inúmeros e confusos blocos de notas. A minha cabeça produz conteúdo (tosco ou útil) à razão de centenas de idéias por minuto e muita coisa boa está escapando. De algorítmos a quadrinhos, tudo passa muito depressa. E eu vou obter um, assim que possível. Como eu conversava com ela, será engraçado acordar no meio da noite para gravar as anotações mentais. Namorado escutará o "pléc" do início da gravação. E eu falarei alguns pensamentos desconexos:

"Beterrabas moídas! Isopor integrado com anéis de amianto! Poodle passeando em um tonel de lítio! Garrincha de muletas!"

Desligarei meu gravador e voltarei a dormir, feliz.

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Ensaio sobre a cegueira10.21.08

Hoje um morto renasceu. E logo me acusou de ter feito algo errado. O contato me surpreendeu pois desta vez, eu não fiz nada. Eu não uso mais a minha bruxaria direcionada àquele segmento sombrio da minha ex-vida.

O fato de ter uma outra pessoa (fora eu) disposta a atormentar o falecido me deixou razoavelmente aliviada. Eu já tinha me aposentado desta tarefa, mas aparentemente não sou a única pessoa do mundo com a mesma linha de pensamento! Apesar disto, eu não concordo com os métodos do(a) colega de "causa". Golpe baixo e sujo. Imundo. Isto não se faz. Os segredos de um homem não devem divulgados de maneira torpe.

Mas até hoje eu pago o preço por ser a única pessoa que enxerga. Eu até gostaria de saber quem é a outra pessoa que também pode ver, mas a curiosidade é mínima. Deixarei para esta pessoa a tarefa de guiar os cegos de lá, pois eu mudei de ala. E francamente, não me importo com o que acontece daquele lado.

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Vida louca vida10.19.08

Eu tenho um problema: eu ouço muito bem.

Eu tenho outro problema: eu ouço mais do que falo.

Isto posto, deixe-me discorrer sobre um assunto que não interessa a quase ninguém: a minha vida.

Hora do almoço. Estava eu sentada na mesa da sala, notebook na minha frente, digitando freneticamente. Trabalho, fio. Ontem foi um domingo e eu estava trabalhando.

Escuto uma voz cochichando na cozinha:

"Nossa, como ela dá umas esnobadas nele!"
"Coitadinho, ele é um santo!"

Sangue ferveu, respirei fundo e falei alto: EU CONSIGO TE ESCUTAR.

O "coitadinho" em questão, que eu "constantemente esnobo" é o "pobrezinho" do meu namorado. Que, coitado, vem aqui só para ser massacrado, esnobado e sofrer com outras crueldades que podem ser cometidas por pessoas com um gênio "terrível" como o meu.

Só que eu avisei que eu não poderia ser uma namorada muito presente neste final de semana, pois eu trabalharia no sábado e no domingo. Ele entendeu e veio pra cá mesmo assim. E ficou na boa. De boa. Seja lá como se escreve isso…

E mesmo assim ainda tive que ouvir aquilo ali de cima. Homem tem mania de defender outros homens. Ainda mais quando namoram "bruxas".

Então me deixa escrever uma coisa: Eu jamais namoraria um santo. Eu não gosto de homens bonzinhos.

Se existem momentos em que sou ríspida, acredite, o outro lado merece, suporta e responde à altura.

Fim.

Post bruscamente interrompido porque eu deixei a minha vassoura estacionada em local proibido.

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Macro fotografia: AMO!10.18.08

Uma foto maravilhosa, que não precisa nem de texto. Dica do Novo Mundo.

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TIMM SCHAMBERGER/AFP/Getty Images

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Luis Guerra, Sônia Abrão e o Mundo Cão.10.18.08

Como boa parte do Brasil, eu estou chocada com o desfecho do sequestro em Santo André. Depois de 100 horas de negociação, tudo terminou da pior maneira possível: As duas meninas foram baleadas na cabeça. Eloá, a namorada do infeliz, não teve sorte: está em coma e tem poucas chances de sobreviver. Ainda que sobreviva, corre o risco de ficar em estado vegetativo. Já a amiga Nayara, não corre mais riscos. E provavelmente será a única pessoa que poderá esclarecer, de fato, o que estava acontecendo lá dentro.

Foi vergonhoso o papel de parte da imprensa neste caso. Hoje eu vi pela primeira vez o vídeo da entrevista do infeliz no programa da Sônia Abrão, A Tarde é Sua. Como eu me recuso a sintonizar a emissora que dá emprego para esta mulher (e não é de hoje!) eu ainda não tinha visto. Como no Youtube eu não estou dando nenhum tipo de audiência para ela, eu finalmente assisti. E fiquei ainda mais chocada.

No programa "A Tarde é Sua", o reporter afirma estar preocupado com o sequestrador. Afirma confiar nele. O rapaz discorre sobre a ação policial, relembra o sequestro do ônibus da linha 174, no Rio de Janeiro. E deixa bem claro que isto tudo acabará mal. Corta a absurda entrevista, uma nitidamente feliz (pelo "furo" de reportagem) Sônia Abrão pede a opinião de especialistas sobre o caso. Um deles espera que tudo acabe em pizza, com o casamento de Eloá e Lindemberg. Honestamente, se eu tivesse visto esta entrevista eu jamais teria escrito no post ali em baixo que eu achava que os dois tinham se acertado. Eu jamais falaria que tudo acabaria em pizza. Foi uma tragédia anunciada, pelo próprio sequestrador e ignorada por todos.

A culpa é de quem? De todos nós: telespectadores, imprensa e polícia.

Dos telespectadores, Carol? Sim! Muitos de nós gostamos do mundo tosco. Nos deliciamos com a tragédia alheia. Damos audiência a pessoas como Sônia Abrão e assim permitimos que estes lixos humanos continuem as suas atividades. Afinal de contas alguém tem que afagar o Lindemberg, consolar a família da Isabela, contar os podres da Susane Von Richthofen…  Se eles se prestam a este papel é porque alguém os assiste, alguém consome.

Como eu bem li por aí: que tal um atirador de elite para enfiar uma bala no meio da testa do desequilibrado? Porque mesmo temos que zelar pela integridade física de alguém que informa que vai se matar de qualquer jeito? Não pode fazer isto na frente da TV? Os "direitos humanos" só servem para bandidos?

Eloá morreu. E um pedacinho de cada um dos envolvidos a matou. Lindemberg só deu o tiro de misericórdia, para fechar o espetaculo que ele criou e o povo abraçou.

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