O voo da ideia
Me disseram que eu tenho quatro anos para me acostumar com a reforma ortográfica. Logo eu, profissional técnica de péssima gramática, tenho que aprender um monte de regras novas para usar a minha língua velha.
Acreditem, não é má vontade. Eu aprendo “novas” línguas (oi? tem acento aqui?) quase todos os dias. Estudo linguistica (trema? acento?), serei mestre! Convivo diariamente com o miguxês, o internetês, o informatiquês, o eusounerdenãoqueroqueninguemmeentendês e até com o inglês, vejam só.
Comecei meus estudos de italiano e tenho tudo o que eu preciso: meu próprio mini dicionário, várias referências e o http://www.livemocha.com/. Meu próximo passo é aprender Mandarim, pois certamente vou precisar falar chinês em algum momento da minha vida. Sei que vou.
Mas tenho certeza que me adequar a estas regras será o meu maior desafio. Apenas os nascidos neste século conseguirão escrever da “nova” maneira com naturalidade. Eu continuo achando esquisito ter que adequar a nossa maneira de escrever à de Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. Mas aqui fica meu último lamento. Este ano, eu vou me adequar. Vou reestudar o português, vou escrever de maneira correta e vou abandonar acentos abolidos.
Só desejo que o corretor ortográfico do Word se adeque antes de mim.