Kiwi Nuclear

Tecnologia, esportes e as outras coisas boas da vida.

Archive for May, 2009


Florianópolis

Panorama 
Sempre fui a Florianópolis a trabalho, mas desta vez até consegui conhecer umas coisinhas diferentes. Escrevo um pequeno resumo da minha semana fora de casa:

  • Excelentes momentos no trabalho. Fui extremamente bem recebida por pessoas que ainda não me conheciam e acho que não incomodei ninguém.
  • Sessenta e sete fotos tiradas. É, foi uma semana fraca. Mas guardo especial carinho pela panorâmica que ilustra o começo deste post, que só foi possível graças à delicadeza do fantástico casal Jorge e Carla.
  • Cinco revistas compradas e quatro lidas. Uma delas eu já tinha lido. Comprei uma Placar com Taison na capa, que é a mesma revista que em SP saiu com Ronaldinho, Robinho e Adriano na capa . Obviamente só percebi que se tratava da mesma edição depois que já tinha pago por ela.
  • Nenhum jornal lido. Nem mesmo as manchetes.
  • Pedi a nota fiscal paulista em dois estabelecimentos. No primeiro a mulher explicou que era só em SP. Provavelmente já estava acostumada com esta indagação… Na segunda, dois dias depois, a pessoa me falou “Pssss eu não sei se minha nota fiscal é paulista, só se o papel for de lá”
  • Uma coleção de taxistas carrancudos. Acredito que os motoristas catarinenses ficam extremamente deprimidos fora de temporada, com a falta de clientes. Apoio a criação de um programa que distribua prozac para todos eles entre março e novembro.
  • Uma coleção de gafes do hotel onde fiquei hospedada. Não posso reclamar muito do local: limpo e com chuveiro quente, é o que eu preciso. Não sou de muitos luxos. Isto merece um post à parte, mas vou deixar um preview visual. Saca só o “misto-quente”:


DSC07383Oi, eu sou um misto-quente! Você quer me amar?

Nunca haverá um cão como Pierre

No começo desta madrugada eu assisti um episódio de Greys Anatomy que dizia que você nunca sabe qual será o dia mais importante da sua vida até que este dia aconteça.

Como eu poderia imaginar que a minha vida mudaria tanto em um sábado de 1994?

Ele veio sem aviso. Minha tia telefonou para a minha mãe e falou: "Tenho um filhotinho de poodle, você quer?"

Minha mãe deve ter consultado o meu pai (ou não) e falou um sonoro SIM.

Naquela manhã de 1994, minha vida mudou. Ou melhor, a vida da minha família mudou. pierre2

Eu me lembro claramente do primeiro momento em que o vi. Parecia um brinquedo. A partir daquele momento eu senti amor instantâneo por aquele bichinho que cabia na palma da minha mão.

Ele já veio com um nome: Dunga. Em homenagem ao volante do campeonato mundial de futebol conquistado naquele ano.

Detestamos.

Virou Pierre assim que a minha tia saiu de casa.

E assim, o Pi entrou nas nossas vidas. Não soubemos criá-lo. Ele cresceu e se tornou um cachorro que pensava que era gente. Queria dormir em nossas camas, conseguiu. Queria comer a nossa comida, conseguiu. Queria mandar nas nossas vidas, conseguiu.

Ele teve tudo o que ele quis, na hora em que quis. E ai de quem o contrariava: o indivíduo era ameaçado com uma lufada de bafo quente e possibilidade concreta de decepação de dedos.

"Humor de cão" cabia muito bem para o Pierre. Era um bicho carrancudo e temperamental.

Como eu.

Nenhum cão jamais será companheiro como ele foi. Pierre passou por todos os momentos realmente tensos da  família. Nos acompanhou na alegria e na tristeza e na saúde e nas doenças. Sem medo de usar clichês, pois o Pipa merece todos os clichês do mundo: ele foi o nosso anjinho.

Assim como chegou sem aviso, hoje o Pipa se foi quase sem se despedir.

Começou a passar mal no mesmo momento em que eu assistia este episódio de Greys Anatomy que citei no começo deste texto.

Vomitou muito, não enxergava, batia nas paredes e teve algumas convulsões mais prolongadas do que o de costume.

pierre3Passei quase a madrugada inteira com o Pierre no colo.

Quando eu o soltava, ele fugia de mim. Tentou se esconder em outro quarto. E em algum momento desceu as escadas sozinho e foi se deitar na sala com os outros cachorros.

Parece que é realmente verdade que um cachorro se afasta no momento da morte.

Em alguma fração de segundo da noite, ele ficou bem. Eu sosseguei e fui para a cama tentar dormir as duas horas que me restavam.

Na hora em que acordei, ele já não estava bem. Nova convulsão, sem muitas reações.

Pela manhã, constatamos o óbvio: O Pierre estava morrendo.

Às 06h45min de hoje, me despedi dele. E até aquele momento, ele sabia quem eu era. Consciente até o último minuto. Eu tentei provocá-lo a ter alguma reação. Queria na verdade que ele mordesse os meus dedos até sangrar.

Mas eu sabia que era a última vez que eu via meu cachorrinho.

Chorei de casa até o aeroporto. Chorei durante todo o vôo que me trouxe para Florianópolis.

E me acalmei.

Eu gosto mais do Pierre do que gosto da maioria dos seres humanos. E este gosto sempre será no presente. Eu amo.

Ele dormia todos os dias no meu pé. Comia junto comigo. Me seguia pela casa. Tentava enganar a mim e a minha mãe, fingindo que dormia com as duas. Na verdade, passava a noite trocando de quartos para a gente não perceber!

Pierre me amou incondicionalmente.

E eu vou amá-lo para o resto da minha existência.

Nunca haverá um cão como ele.

Você nunca sabe qual será o dia mais importante da sua vida até que este dia aconteça.

DSC07080 Garáaaaaaaaaaaauuuuuuu

Eu vou te amar para sempre

pierre
Pierre, que iluminou a minha vida de 17 de setembro de 1994 até hoje.
Descanse em paz, meu nenê. Nós ainda vamos nos reencontrar.

Profissões que eu não respeito: Consultores

Quero começar por uma profissão que já foi (e de vez em quando ainda é) a minha. Eu fui Consultora por alguns anos e naturalmente me envergonho disto. Existem vários tipos de consultores, mas apenas alguns tem alguma utilidade real. E eu ainda não os conheci.

Pensem em um Consultor de Gestão. Em teoria, a criatura foi contratada para ajudar na reestruturação de uma empresa que está com problemas. O cara está lá para definir cortes de custos, de pessoal, de processos e até de benefícios.

A “dona” do Consultor vende o cidadão como se ele fosse o último Deus da administração. Sim, esta é a lição número um: Consultor tem dono e não empregador. Ser Consultor é a experiência empregatícia mais próxima da escravidão que você pode conseguir. Muitas vezes, os estagiários são mais felizes que consultores por terem salário fixo, benefícios e horas de sono.

É uma matemática simples: dona de consultor vende por milhões o serviço que vale poucos milhares e para o consultor responsável sobram centenas.

Todo este trâmite só é possível graças a principal ferramenta de consultoria inventada pelo homem moderno: o PowerPoint! Ó, que aplicativo mágico! Transforma números inventados em figuras lindas, gráficos de pizza suculentos e tabelas esclarecedoras. O segredo de uma venda rápida é a última folha de uma apresentação de PowerPoint  apresentar um gráfico com uma curva que apresenta algum crescimento de produtividade junto com o corte de custos. Não requer prática e só um pouco de habilidade. E note quantas vezes as variações de “apresentar” tive que usar para compor este parágrafo. Consultoria é isto: Apresentação.

Muitos consultores inexperientes estão por aí. As grandes consultorias jogam no mercado pessoas recém-formadas com salários ridículos para cuidar de grandes contas.

Ou seja, as empresas que contratam consultores estão povoadas de arrogantes recém-formados que não fazem muito a não ser tocar o terror nos funcionários realmente bons de uma empresa. Tiram destes pobres a única coisa que os mantém naquele emprego: a sua liberdade criativa.

Para os mais novos, o que importa é usar seu terninho e ter o seu cartão de visitas para distribuir no próximo almoço da família.

E para os próximos posts, devo alertá-los que existe algo muito pior que o Consultor: O Diretor que um dia já foi Consultor.

Tenham medo. Muito medo.

consulting

Maio, um mês do cascalho

nelsonsimpsons Maio chegou e com ele veio a minha vontade de escrever!

Este mês vou fazer uma série aqui no blog. Uma série jamais vista em meus domínios. Algo surpreendentemente manjado, mas que me trará muita diversão ao longo destes duros dias.

Passarei o mês inteiro sendo mala. Vou escrever sobre coisas que eu não gosto.

Sim, vou falar mal dos seus programas prediletos, dar risada do seu gosto musical, detonar pessoas adoradas e ridicularizar a sua profissão.

Perderei leitores de feed, seguidores do twitter e alguns “amigos de internet”. Mas como vocês não são muitos, acho que vale o risco!

Minha irrelevância me permite falar mal dos outros.

Ou melhor, eu sou muito relevante no meu microcosmo (dãh). De todas as pessoas que eu conheço pessoalmente, certamente 70% delas visitam o meu blog pelo menos uma vez por semana. Destas, pelo menos umas 30% se manifestam de alguma forma por causa das coisas que eu escrevo.

Esperem posts diários. Esperem muito ódio do meu coração!

Junho vem aí e é o mês do amor. Daí me aguenta, filho!