Nunca haverá um cão como Pierre

Posted in Uncategorized on May 11, 2009

No começo desta madrugada eu assisti um episódio de Greys Anatomy que dizia que você nunca sabe qual será o dia mais importante da sua vida até que este dia aconteça.

Como eu poderia imaginar que a minha vida mudaria tanto em um sábado de 1994?

Ele veio sem aviso. Minha tia telefonou para a minha mãe e falou: "Tenho um filhotinho de poodle, você quer?"

Minha mãe deve ter consultado o meu pai (ou não) e falou um sonoro SIM.

Naquela manhã de 1994, minha vida mudou. Ou melhor, a vida da minha família mudou. pierre2

Eu me lembro claramente do primeiro momento em que o vi. Parecia um brinquedo. A partir daquele momento eu senti amor instantâneo por aquele bichinho que cabia na palma da minha mão.

Ele já veio com um nome: Dunga. Em homenagem ao volante do campeonato mundial de futebol conquistado naquele ano.

Detestamos.

Virou Pierre assim que a minha tia saiu de casa.

E assim, o Pi entrou nas nossas vidas. Não soubemos criá-lo. Ele cresceu e se tornou um cachorro que pensava que era gente. Queria dormir em nossas camas, conseguiu. Queria comer a nossa comida, conseguiu. Queria mandar nas nossas vidas, conseguiu.

Ele teve tudo o que ele quis, na hora em que quis. E ai de quem o contrariava: o indivíduo era ameaçado com uma lufada de bafo quente e possibilidade concreta de decepação de dedos.

"Humor de cão" cabia muito bem para o Pierre. Era um bicho carrancudo e temperamental.

Como eu.

Nenhum cão jamais será companheiro como ele foi. Pierre passou por todos os momentos realmente tensos da  família. Nos acompanhou na alegria e na tristeza e na saúde e nas doenças. Sem medo de usar clichês, pois o Pipa merece todos os clichês do mundo: ele foi o nosso anjinho.

Assim como chegou sem aviso, hoje o Pipa se foi quase sem se despedir.

Começou a passar mal no mesmo momento em que eu assistia este episódio de Greys Anatomy que citei no começo deste texto.

Vomitou muito, não enxergava, batia nas paredes e teve algumas convulsões mais prolongadas do que o de costume.

pierre3Passei quase a madrugada inteira com o Pierre no colo.

Quando eu o soltava, ele fugia de mim. Tentou se esconder em outro quarto. E em algum momento desceu as escadas sozinho e foi se deitar na sala com os outros cachorros.

Parece que é realmente verdade que um cachorro se afasta no momento da morte.

Em alguma fração de segundo da noite, ele ficou bem. Eu sosseguei e fui para a cama tentar dormir as duas horas que me restavam.

Na hora em que acordei, ele já não estava bem. Nova convulsão, sem muitas reações.

Pela manhã, constatamos o óbvio: O Pierre estava morrendo.

Às 06h45min de hoje, me despedi dele. E até aquele momento, ele sabia quem eu era. Consciente até o último minuto. Eu tentei provocá-lo a ter alguma reação. Queria na verdade que ele mordesse os meus dedos até sangrar.

Mas eu sabia que era a última vez que eu via meu cachorrinho.

Chorei de casa até o aeroporto. Chorei durante todo o vôo que me trouxe para Florianópolis.

E me acalmei.

Eu gosto mais do Pierre do que gosto da maioria dos seres humanos. E este gosto sempre será no presente. Eu amo.

Ele dormia todos os dias no meu pé. Comia junto comigo. Me seguia pela casa. Tentava enganar a mim e a minha mãe, fingindo que dormia com as duas. Na verdade, passava a noite trocando de quartos para a gente não perceber!

Pierre me amou incondicionalmente.

E eu vou amá-lo para o resto da minha existência.

Nunca haverá um cão como ele.

Você nunca sabe qual será o dia mais importante da sua vida até que este dia aconteça.

DSC07080 Garáaaaaaaaaaaauuuuuuu

8 Responses to “Nunca haverá um cão como Pierre”


  1. Dany says:

    PQP…. Porque é triste assim né ? Eu li um texto uma vez, que dizia que os cachorros vivem pouco tempo, porque são seres iluminados e não precisam ficar muito nessa vida para aprender o amor, eles são incondicionais, vivem isso todo o tempo, podemos estar triste, feliz, bem, mal, limpinho ou suado…. ele sempre vai te amar.

    O importante é viver esse amor, ter essa alegria e você teve isso.

    Chorei muito lendo o seu post, sinto por você, porque ele devem estar correndo muito com vários outros amiguinhos pelos prados e campinas verdejantes agora.

    Amo vc minha amiga.

    Um beijo

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  2. Luciano says:

    Nunca imaginei que eu ficaria tão triste por este pequeno chato.
    De certa forma, ele é o culpado pela chegada e por eu amar tanto a Patty e a Zucker.
    O Pipa deve estar fazendo “galau” para o dragão de São Jorge essa hora, ou latindo para qualquer luz e lembrando do dia que eu apontei a lanterna para ele.

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  3. Giu says:

    chorei até secar lendo esse post…

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  4. fabiane says:

    oi Carol, depois de le seu post,peguei o Tron e a Cristal no colo e deu todo o carinho que eu pude pensando no mesmo momento em que vc está passando. Iss é muito triste … imagino sua dor, mas força amiga o Pierre teve sorte de conviver por tanto tempo com pessoas maravilhosas como vocês. E vocês em troca puderam conviver com ELE e aprender e sentir a maravilhosa sensação do amor incondicional.
    Um grande beijo

    Reply

  5. fabiane says:

    oi Carol, depois de le seu post, peguei o Tron e a Cristal no colo e dei todo o carinho que eu pude pensando no mesmo momento em que vc está passando. Isso é muito triste … imagino sua dor, mas força amiga o Pierre teve sorte de conviver por tanto tempo com pessoas maravilhosas como vocês. E vocês em troca puderam conviver com ELE e aprender e sentir a maravilhosa sensação do amor incondicional.
    Um grande beijo

    Reply

  6. marcia gullo says:

    Puxa vida Carol, sei bem o que vc ta sentindo, perdi a Pretinha em 2004 no meu colo, ainda não sabemos o que ela comeu mais fez um mal danado e ela morreu com 6 meses. Fiquei em depressão e meu maridinho, preocupado, logo me arranjou outra cachorrinha, a NIna que ta aqui agora, do meu lado, olhando com aquela cara que só os cachorros apaixonados saber fazer.
    eu sinto muito pela sua perda e sei que nada que eu diga vai melhorar mais fica aqui minha solidariedade!!!1

    Bejus querida e inté.

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  7. Ana says:

    …eu sei como é sentir isso.
    e não quero sentir tão cedo.
    o tempo é cruel ele nos dá e nos tira as coisas que mais amamos.
    hoje a única certeza que tenho além da morte é de que meus cães vão me amar até o último dia de vida deles ou minha.
    e por hora isso me basta. mas não há consolo que chegue, não carinho que vença a dor, a falta, os momentos, os trejeitos.
    eu não quero pensar nesse dia.

    :*|

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  8. 1 ano sem meu cachorrinho. Só quem já amou um cão sabe o tamanho da saudade… http://migre.me/DY9r

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