Profissões que eu não respeito: Consultores
Quero começar por uma profissão que já foi (e de vez em quando ainda é) a minha. Eu fui Consultora por alguns anos e naturalmente me envergonho disto. Existem vários tipos de consultores, mas apenas alguns tem alguma utilidade real. E eu ainda não os conheci.
Pensem em um Consultor de Gestão. Em teoria, a criatura foi contratada para ajudar na reestruturação de uma empresa que está com problemas. O cara está lá para definir cortes de custos, de pessoal, de processos e até de benefícios.
A “dona” do Consultor vende o cidadão como se ele fosse o último Deus da administração. Sim, esta é a lição número um: Consultor tem dono e não empregador. Ser Consultor é a experiência empregatícia mais próxima da escravidão que você pode conseguir. Muitas vezes, os estagiários são mais felizes que consultores por terem salário fixo, benefícios e horas de sono.
É uma matemática simples: dona de consultor vende por milhões o serviço que vale poucos milhares e para o consultor responsável sobram centenas.
Todo este trâmite só é possível graças a principal ferramenta de consultoria inventada pelo homem moderno: o PowerPoint! Ó, que aplicativo mágico! Transforma números inventados em figuras lindas, gráficos de pizza suculentos e tabelas esclarecedoras. O segredo de uma venda rápida é a última folha de uma apresentação de PowerPoint apresentar um gráfico com uma curva que apresenta algum crescimento de produtividade junto com o corte de custos. Não requer prática e só um pouco de habilidade. E note quantas vezes as variações de “apresentar” tive que usar para compor este parágrafo. Consultoria é isto: Apresentação.
Muitos consultores inexperientes estão por aí. As grandes consultorias jogam no mercado pessoas recém-formadas com salários ridículos para cuidar de grandes contas.
Ou seja, as empresas que contratam consultores estão povoadas de arrogantes recém-formados que não fazem muito a não ser tocar o terror nos funcionários realmente bons de uma empresa. Tiram destes pobres a única coisa que os mantém naquele emprego: a sua liberdade criativa.
Para os mais novos, o que importa é usar seu terninho e ter o seu cartão de visitas para distribuir no próximo almoço da família.
E para os próximos posts, devo alertá-los que existe algo muito pior que o Consultor: O Diretor que um dia já foi Consultor.
Tenham medo. Muito medo.
May 22nd, 2009 at 12:05 am
[...] é) a minha. Eu fui Consultora por alguns anos e naturalmente me envergonho disto. fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]