Lucinha é uma menina de 19 anos de idade que ainda não teve a chance de completar o ensino médio. Leva uma vida dura, porém feliz, em Magalhães Barata, no Pará. É uma das sortudas! Trabalha em uma farmácia movimentada do centro da cidade e tem a sorte de receber um salário mínimo, com o qual ajuda em todas as despesas da casa.
Lucinha comemora uma conquista recente: comprou o seu primeiro computador. Mais precisamente o seu primeiro notebook, uma verdadeira pechincha do comércio local: 12 longas parcelas de R$89,00.
Ela está apenas a um passo do mundo que ela nunca conheceu. Com a ajuda do primo, consegue o que tanto sonhou: uma conexão a Internet. Para ela é natural, é como o rádio. Ligou e a internet está lá, esperando para ser explorada.
Sua primeira providência é conectar-se aos amigos que já fez em sua cidade. Faz o que é familiar: começa a versão digital da sua vida pessoal. Afinal de contas, ela sabe que isto é a internet: um meio para conversar com seus amigos.
O que Lucinha jamais saberá é o que é a tecnologia Wi-Max. Ela jamais entenderá que este sinal que ela recebe gratuitamente em seu modesto computador, provém de uma grande estrutura que opera na faixa de freqüência de 5,7 GHz e que custou fortunas aos cofres públicos do estado. Mal sabe Lucinha que o Pará é pioneiro na democratização do acesso e da comunicação e que este acesso fácil à informação transformará a sua vida.
Para melhor? Não se sabe. Governantes sabem que eles devem prover o acesso, mas quem ensina como aproveitá-lo?
Educação neste país não é prioridade. Pontos de acesso não funcionam sem uma política de inclusão social. Acredito que Lucinha se beneficiaria de um programa de aperfeiçoamento cultural em paralelo com o programa de inclusão digital do qual ela já se beneficiou. Mas ela não acredita que realmente precisa de um.
Lucinha não será salva tão cedo, mas certamente seus descendentes terão chances melhores que as dela. Nativos digitais tendem a explorar em vez de integrar. E são a esperança real para o Brasil realmente virar um país de incluídos digitais.
O que Lucinha não sabe (e nem o governo do Pará) é que esta nova geração de incluídos digitais somente fará alguma diferença daqui a 20 anos.