O Samba do Crioulo Doido
| July 31, 2012 | Posted by Maria Carolina Cintra under empreendedorismo, pegn |
Na semana passada, fui convidada pela empresária Maria Aparecida Paulino para assistir a uma discussão no Museu Afrobrasil, aqui em São Paulo. O evento era o Noite Ilustrada – Encontro com o Artista, que recebia naquela ocasião a espetacular artista plástica Rosana Paulino.
Ela mostrou o seu magnífico trabalho, que é muito forte ao representar questões ligadas a gênero e etnia, especialmente as que envolvem a situação social da mulher negra no Brasil. Com Rosana bem mencionou, a mulher negra é a base da pirâmide social: ninguém sofreu historicamente tanto com preconceito, por gênero e por raça, na história desse mundo.
Voltando para o nosso mundinho do empreendedorismo, responda rápido: quantas empresárias negras você conhece?
Conheci algumas por aí, mas dá para contar nos dedos de uma mão só. Maria Aparecida Paulino é a única com quem eu tenho contato. A única que acompanho, talvez porque a Cida é uma das minhas melhores amigas. E eu não faço parte de nenhuma “elite segregatória”: sou uma jovem senhora de classe média da zona leste paulistana.
Não vou ter a cara de pau de escrever aqui um tratado defendendo a negritude e sua histórica desvantagem social, mesmo porque seria absurdamente hipócrita: eu jamais entenderei essa desvantagem, simplesmente porque não a vivi.
Entretanto quero deixar aqui uma pergunta e a minha tentativa de resposta: POR QUE existem poucas mulheres negras empreendendo no Brasil?
A resposta me foi dada no próprio evento do Museu Afrobrasil: educação. Aqui neste país, a educação é estranhamente dissociada da cultura, dos esportes e de qualquer outra atividade minimamente lúdica. Nossas escolas nos preparam para decorar textos. Nos preparam para vencer um suposto vestibular, que é uma maneira ultrapassada e retrógrada de seleção de talentos.
Conseguem imaginar a delícia que seria aprender tudo sobre química, física e matemática em uma aula de cerâmica?
E as lições de biologia empregadas em uma atividade esportiva?
Todo o ensino de empreendedorismo poderia ser feito no ensino médio, criando pequenos comércios dos artefatos criado na aula de artes: produção em série, precificação, gestão, vendas…
Ok, ok, eu misturei a questão social das negras e o desacordo com o nosso método arcaico de educação em um único texto, um verdadeiro samba do crioulo doido! Separar os assuntos seria cometer o mesmo erro histórico que o Brasil comete.
Educação é tudo, educação está em todos os lugares. Para consertar a sociedade, precisamos de um novo modelo de educação. Esse já morreu e se esqueceram de enterrar. E está fedendo.
Só espero que meus netos consigam viver esse novo modelo de educação, porque já percebi que meus filhos não vão ter essa sorte.
Post originalmente publicado no PEGN – Mulheres Empreendedoras em 31/07/2012
http://colunas.revistapegn.globo.com/mulheresempreendedoras/










