Archive for the ‘corinthians’
Mas eis que chega a Roda Viva
Vamos falar de Roda Viva! Não a música do Chico, mas o programa jornalístico muito tradicional da bacana TV Cultura.
Graças à Paula e ao Carlos fui convidada para “twittar” direto da bancada do programa na última segunda feira. E o convidado foi ninguém menos que Mano Menezes, o quarto melhor treinador do planeta e o homem responsável por comandar a redenção corinthiana.
As emoções começaram logo no caminho. Atrasado por buscar Jonny Ken antes de mim, o motorista que a TV designou para nos levar até o estúdio já chegou anunciando: “Estamos com o tempo apertado. Vocês se importam se eu correr um pouco? Não se preocupem, na época do Cidade Alerta eu vivia perseguindo a Rota…”
Apertei o cinto e segurei o banco, esperando que aquela van costurasse o trânsito violentamente, jogando velhinhos e crianças para fora da pista. Mas a pilotagem não foi realmente tão agressiva e chegamos inteiros na TV Cultura.
(Aliás, a minha apreensão naquele momento só se compara ao dia em que, viajando pela serra do Rio Grande do Sul com uma amiga, um motorista que contratamos contou as histórias da época em que ele trabalhava no garimpo e perdeu totalmente a visão do olho esquerdo. Estávamos em uma estrada zoada do RS com neblina e chuva)
Chegamos apenas meia hora antes do programa e não pude aproveitar a mesa cheia de quitutes. Meu amigo Bruno, o flickerista convidado do dia, já estava lá há umas duas horas. Ele deve ter aproveitado a mesa de quitutes. E sim, gorda fala o tempo todo sobre comida (e escreve no blog também).
Bruno: moreno alto bonito e sensual. E solteiro. Estou agenciando, meninas!
Eu e Jonny fomos direto pra maquiagem e pro cabelo. Aliás, quero um maquiador e um cabeleireiro todos os dias na minha casa. Virou objetivo de vida, já que tenho duas mãos esquerdas e não consigo sequer passar rímel sem ajuda da minha mãe ou sem furar o meu próprio olho.
O estúdio é menor do que eu esperava. Na TV tudo parece maior, inclusive eu.
Mano chegou atrasado e a entrevista começou no instante em que ele sentou a bunda na cadeira. Durou uma hora e meia e foi sensacional. Nem preciso escrever sobre o que ele falou de interessante, pois os melhores momentos você pode assistir aqui.
Herodoto me apresentou sem sobrenome: “A analista de sistemas Maria Carolina”. Mas ele engasgou na hora de falar o nome do Jonny… Então não me senti uma adolescente sem identidade própria.
O ponto principal desta história toda é: ele assinou minha camisa!
Camisa que deverá ser enquadrada para ser pendurada em uma das paredes da minha nova casa. Afinal, Mano é um cara que está fazendo história no Corinthians e merece esta reverência.
Inveja
Neste domingo eu senti muita inveja.
Senti uma inveja profunda das quase 18 mil pessoas que puderam presenciar este momento ao vivo.
É um momento que entrou para a história.
Daqui a 20 anos todo mundo vai te perguntar: “Onde você estava naquele dia em que o Ronaldo marcou aquele golaço na Vila Belmiro?”
Mais de 200 mil santistas e aproximadamente 6 milhões de corinthianos responderão: “Eu estava lá. Eu estava na Vila Belmiro”.
A escolha sempre foi óbvia.
Mil novecentos e setenta e sete foi um ano mágico para os fiéis. Na noite chuvosa de 21 de setembro de 1977, o Corinthians jogava no Pacaembu quando a minha mãe teve que sair para um compromisso inadiável. Jogando para exatos 41.198 torcedores, o Timão foi derrotado pelo Guarani de Campinas pelo placar de 1 a 0, gol de Ziza aos 19 minutos do segundo tempo. O relógio marcava aproximadamente 22h20min no momento do gol do Guarani e quase 23 horas quando o jogo acabou. A situação do Corinthians no campeonato se complicava. Teria que vencer os três jogos das últimas rodadas para conseguir a classificação para a grande final.
Eu nasci as 23h15min deste dia.
A partir deste instante, deste momento em que eu comecei a existir, o Timão não perdeu mais naquele turno do campeonato. O time (na foto) embalou três vitórias seguidas (contra Botafogo, Portuguesa e São Paulo) e avançou para a finalíssima do campeonato paulista de 1977.
Três jogos difíceis com a Ponte Preta deram o título ao Timão. O primeiro em 22 anos, 8 meses e 6 dias. O final da enorme e sofrida fila!
Acho que não é exagero dizer que eu sou corinthiana desde 21 de setembro de 1977.
Não tenho nenhuma lembrança de “dúvida”. Todas as minhas primeiras lembranças futebolísticas são corinthianas. Lembro de assistir à final do Campeonato Paulista de 1982 em nossa casa na (avenida?) Rua Pires Pimentel em Bragança Paulista, com várias pessoas da minha família. A parte bragantina da minha família tinha muitos são paulinos, era um ambiente propício para uma criança de quase cinco anos virar a casaca.
E mesmo naquele momento, eu me lembro de ser abertamente e decididamete corinthiana.
Só que nos anos 80 não era normal ver meninas que gostassem de futebol, como hoje é. Lembro de fingir que estava dormindo no quarto para escutar (baixinho) os jogos do Corinthians. Eu era certamente a mais interessada de casa.
A parte de esportes do jornal era sempre a primeira que eu escolhia quando aprendi a ler. Aliás, é um hábito que herdei ou imitei do meu irmão mais velho. E até hoje é assim. Chega o jornal, o caderno de esportes é o primeiro a ser folheado.
O título paulista de 1988, com o famoso gol de Viola de peixinho contra o Guarani (olha ele aí de novo na minha vida!) foi o primeiro que eu comemorei de verdade. Foi uma grande ocasião, uma gigante celebração. Lembro da minha alegria no dia seguinte! Das maravilhosas capas dos jornais! De rever aquela comemoração do Viola diversas vezes na televisão.
Aliás, eu adicionei o Viola no Orkut só por causa disto. Ele me deu a minha primeira alegria corinthiana e jamais me esquecerei dele.
Aí chegou o Brasileiro de 1990. Acompanhei com muito entusiasmo os jogos de Neto. Mas no dia da grande final, algo insano aconteceu. Minha mãe (ou algum outro sádico da minha família) me “emprestou” para a minha tia Ivete para que eu brincasse com a minha prima Tatiana na casa dos parentes delas.
Não vi o jogo que nos deu o primeiro título brasileiro. E ainda estava no meio de naturalmente desinteressados são paulinos! Decepção gigante.
Taí seres que nunca entendi: os são paulinos. Minha melhor amiga da vida toda, a Marina, sempre foi são paulina doente. E na infância eu não entendia como isto poderia acontecer. Como a MINHA amiga poderia ser são paulina? Como poderia existir alguém no mundo que não soubesse apreciar a beleza do Timão e como alguém poderia se privar da alegria de ser corinthiano?
Aprendi a aceitar a insanidade alheia. Aprendi que a grandeza de um time não se mede na quantidade de títulos conquistados e sim na devoção de sua torcida e entrega das suas equipes.
O tempo se foi num lento piscar de olhos, mas o interesse nunca passou. Só aumentou.
Eu poderia escrever um livro de histórias sobre os 21 anos que separam aquele gol de Viola do dia de hoje.
Mas o que me inspirou a escrever este texto relembrando o começo da minha vida corinthiana foi a grande atuação do Timão ontem.
O Corinthians passou quatro anos desacreditado. Teve times péssimos com atletas mercenários ou desinteressados. Colecionou dirigentes corruptos e foi castigado com o pior: a horrorosa queda para a segunda divisão.
Os quatro anos de inferno do Corinthians coincidiram com os quatro piores anos da minha vida.
Só que no ano passado o Corinthians renasceu.
E eu também.
Curti cada minuto da nossa vitória de hoje pois a equipe de Mano Menezes me faz sentir o maior orgulho de ser FIEL.
Este time pode não ser o Campeão Paulista, mas o melhor eles já fizeram. Recolocaram o Timão na rota do orgulho, da garra e das grandes conquistas.
É o melhor time do mundo? Não.
Mas nenhum outro me faria sentir assim.
Sinto muita pena de quem vai morrer sem ter sentido mesmo por poucos minutos a alegria de ser corinthiano.
O Pacaembu era meu
A grande atração desta tarde no meu microcosmo foi a minha volta e a do Zuba para os gramados paulistanos. Se você tem preguiça de ler sobre futebol, leia apenas os meus grifos, que resumem o post.
Para quem não se lembra, estávamos meio ressabiados e ressentidos com o futebol nos estádios. Culpa de uma viagem que fizemos para Recife no ano passado com o intuito de comemorar o dia dos namorados. Aquele bate e volta culminou com a perda do título da Copa do Brasil para o Sport.
Já refeitos daquela perda, hoje usamos pela primeira vez os nossos cartõezinhos do programa fiel torcedor. Programa de fidelidade para o torcedor corinthiano que promete facilidades e maravilhas a preços módicos.
Prometido e cumprido: entramos no estádio em exatos três segundos, sendo que 2,5 foram usados para a revista do policial militar.
Não pegamos as filas que estavam quilométricas. E não precisamos sair de casa para comprar os ingressos. Fiel torcedor: APROVADO.
Entramos no estádio 1 hora antes do jogo começar e notamos o esforço da federação e do Corinthians em manter os torcedores entretidos até o início do jogo
O Bin Laden estava lá, assim como os mascotes cabeçudos. As cheerleaders chamaram a atenção de todos e os moços do time corinthiano de futebol americano deram uma volta olímpica para mostrar seus bíceps para as meninas.
Aliás, uma informação interessante: A DataCarol informa que existiam 40% de mulheres no estádio. Pelo menos no setor laranja, o que é usado por crianças e famílias.
Com tantas atrações extra-curriculares, o tempo passou rápido. E logo os jogadores entraram em campo para nos presentear com um jogo de futebol.
Todo mundo estava de olho nos moços da foto acima. Neymar e Ronaldo centralizaram todas as atenções do clássico. E nenhum dos dois terminou o jogo.
Neymar foi a campo com berrantes chuteiras verdes e não foi muito amado no Pacaembu. Levou uma bronca (!) de Christian e quase não jogou. Sentiu bastante o peso do jogo, e acho que por isto no começo do segundo tempo foi substituído por um gnomo engraçadinho.
Ronaldo não sentiu o peso do jogo mas sim o do corpo. Ainda assim foi perigoso, perdeu uns quatro gols, cansou os zagueiros santistas e os dedos desta fotógrafa amadora que aqui escreve, que agora tem em sua coleção umas 200 fotos do fenômeno.
Ronaldomania é invenção da imprensa marrom. Tá?
Com dois ou três desocupados marcando Ronaldo o tempo todo, Dentinho aproveitou para, livre, marcar o único gol do jogo: Coringão 1 x 0 Santos.
No intervalo, um cãozinho da polícia militar fez um pequeno show acrobático no canto do gramado ao dançar ao som de Black Eyed Peas e ganhou a nossa atenção. Se 22 cães estivessem no campo, as 200 fotos que eu tirei certamente seriam 821.
Confesso que não prestei atenção em boa parte do segundo tempo. Amaldiçoando meu eu-interior por conta da fraca bateria da minha câmera, fiquei perdida em meus pensamentos. Cuidando da minha própria vida. Observando vendedores de amendoim. Aos 30 ou 40 minutos desta etapa, a organização do jogo mostrou que estava em sintonia comigo e apresentou uma bizarra conta de público:
Final do jogo, vitória garantida. Para nós, restou sentar nas cadeiras para esperar os afobados saírem do estádio e assistir a polícia batendo na torcida santista do outro lado.
Fui convencida pelo meu noivo sem noção a consumir um hot dog feito por um casal chinês na saída do estádio.
E disto me arrependo até este instante.
Terei uma noite de rainha.